Após uma série de teorias sobre o desenvolvimento da inteligência infantil, ressurgem autores defendendo que o melhor a fazer para estimular o raciocínio da criança é deixá-la brincar.
Entre roupinhas, fraldas, carrinho, banheira e o berço, os pais hoje têm acrescentado à lista do enxoval dos filhos alguns itens especiais. São CDs, DVDs e brinquedos educativos voltados especificamente para a estimulação do cérebro do bebê. Só ressaltando que ainda não surgiram evidências científicas suficientes de que toda a parafernália à venda com o propósito de incrementar e acelerar o desempenho infantil de fato cumpram esse objetivo.
No livro Einstein teve tempo para brincar, Como nossos filhos realmente aprendem e por que eles precisam brincar (Editora Guarda-Chuva, 2006), lançado em 2003 nos EUA e recentemente editado no Brasil, autoras que além do foco profissional na infância também são mães, investigam melhor o assunto, dividindo suas próprias angústias e incertezas com o leitor.
A idéia principal não é necessariamente inédita. David Elkind, da Universidade de Tufts (EUA), foi um dos que abordaram o assunto. Escreveu, em meados dos anos 1980, Sem tempo para ser criança: a infância estressada (Artmed, 2003). Elkind questiona uma prematura e desastrosa "adultificação" das crianças. As ideias defendidas por ele foram usadas como referência e serviram de inspiração para autores, que aprofundaram as pesquisas sobre o assunto.
Brincar é importante para a criança porque constitui uma linguagem, com a mesma relevância que a língua falada tem para nós, adultos. É, além disso, também por meio da brincadeira que a criança pode desenvolver suas habilidades físicas e exercitar a coordenação motora. É também um dos modos como ela pode elaborar seus conflitos emocionais. É comum ver uma criança repetir com seus brinquedos cenas que vê em casa e comportamentos dos adultos. Isso poderia constituir sua forma de elaborar e assimilar emoções.
As influências vêm do meio e não apenas dos pais. Na atualidade Robert Brooks, Ph.D., da Harvard Medical School, autor de Criando e Educando Filhos (M. Books, 2005) é um dos autores que sustentam que as qualidades inatas da criança, seu modo de se relacionar com outras pessoas e as características do ambiente geral desempenham, além da relação pais-criança, importante papel na modelagem da mentalidade infantil. Portanto, as interações com os amigos, o conhecimento adquirido na escola e as experiências vividas também são decisivas na definição de quem a criança é. Mesmo sabendo da importância dessas outras influências, deve-se ter a preocupação em escolher a programação de TV, o uso da internet e outros acessos à tecnologia em que seus filhos estam sujeitos. Se já o fazem, que haja um controle e não apenas a preocupação. Até porque já se sabe que as imagens têm grande influência na mente infantil.
Fonte:
Brincar é aprender